Concerto de Deslize último do programa para 2014 no Vox

Da mesma maneira que Almada não tem nada a ver com o Barreiro ou Setúbal com Palmela, numa micro-escala Cascais também não tem nada a ver com Carcavelos nem Paço de Arcos com S.Domingos de Rana – terra fecundadora d’A Besta.

Artistas de uma geração trabalhadora, são pessoas persistentes, altamente descomprometidos na sua transe, seguros do processo de extracção sonora dos instrumentos, peças, fios, circuitos, seguem sempre na incerteza do destino para onde nos leva a sua máquina de sonhos.

O projecto Deslize, inserido no colectivo A Besta, a par de a-nimal, Saraband e O Poema (A)Corda, é composto por Helder José e João Sousa, fazedores das experiências que procuramos no programa Arquitectura do Ruído.
Estão sempre rodeados de amigos: surpresa podemos esperar.

Aceitamos o vosso contributo para a música independente, a entrada é a edição física do álbum Setembro de Deslize, 4 jacarés, ou 3 jacarés.

Jacaré é nome de animal que morde, pinça metálica usada para morder as cordas das guitarras, parte da técnica que Deslize usa para fabricar cultura, que a falta de cultura vigente não entende, não viaja, empedernida numa fantasia lusitana=austeritária.
Por isso cada vez une-nos mais a defesa do que nos faz individualmente diferentes e especiais – nada de especial na realidade, queremos ver, ouvir, criticar, conviver e produzir esta coisa quântica que é o pensamento crítico, verdade, falso e as duas coisas ao mesmo tempo, é a vibração de tudo o que nos rodeia. E é justamente aí que nos leva Deslize nas referências, identificação e o circuit bending a criar matéria desconhecida por definição, ruído, o antes total das cristalizações de estilo, género.

Esta será a última produção de concertos para o ano de 2014 no Vox pelo que o concerto de Deslize é o último deste mês de estímulo enriquecedor com Presidente Drógado e Marciana Verde, Maria João Fura em Trio com Rúben da Luz e Pedro Teixeira, Techno Widow e X, Fernando Ramalho e Torré, Negro e Carla M, e Nilson Muniz acompanhado por Filipe Magalhães e João Ferndandez.

Esperamos ter dado um contributo à arte de quem pelo palco passou, pessoas notáveis no seu percurso independente, contando com o PPR a apresentar, apoiado pela Rádio Zero e suportado pelo público que acompanhou os concertos e contribuiu para a economia da cultura paralela.
Levam todos e cada um de vós este abraço especial.

Amanhã estará bom tempo dentro do edifício da Voz do Operário, pelo que depois do concerto, a curtos passos, a noite continua pela Graça, Mouraria ou Intendente.

Bem-vindos às franjas da mítica Zona Oriental de Lisboa, mãe de operários, fadistas, boémios, revolucionários, pequena burguesia esclarecida, estudantes e ninho-poiso-alcofa de artistas malditos.

PPR

Noite d’A Besta no Vox Café * concerto com Deslize * lançamento do álbum Setembro

EVENTO FACEBOOK

SETEMBRO resulta de duas sessões captadas em directo com uma mesa de mistura analógica de quatro canais ligada a um gravador portátil. Duas guitarras, muitos jacarés, 1 dako (circuit bending) e um pc a lançar pistas sofrendo ataques de rewind, forward e epilepsia.
12/10/2014 – Gravação em ensaio na Estudantina de São Domingos de Rana
13/10/2014 – Gravação ao vivo no Festival Condomínio em Lisboa.

DESLIZE é um projecto de exploração acústica de timbres e sons pouco convencionais em instrumentos tidos em conta como comuns. Uma guitarra clássica e uma guitarra acústica, cordas de nylon e cordas de aço, transformadas através de “jacarés”, molas, ferros, dedos e palhetas. DESLIZE é uma viagem por um mundo de inúmeras (des)afinações, passando pelas localidades surrealistas da experimentação, sonhando tonalidades exploradas até ao infinito, reagrupando tudo numa linguagem universal. A bagagem completa-se com dispositivos analógicos e digitais que servem de ponto de partida e chegada para o ondular das guitarras. Hélder José e João Mendes de Sousa convidam-vos a deslizar pelos sonhos ou talvez por pesadelos.

A BESTA apresenta-se como colectivo editorial independente de música alternativa, com princípios assentes na filosofia DIY (do it yourself, faz tu mesmo).

Composta por um conjunto de ego-maníacos de esquizofrénica atomização, a Besta trata-se de gente sediada em parte alguma com vontade de estar em todo o lado.

Fundada em noites de produtividade duvidosa no ano de 2013 e no ímpeto bem pós-mó de fazer coisas ou criar, avança como tecto sem-abrigo de promoção de eventos culturais ou como editora contando com bichos de toda a espécie e tamanho como sejam: a-nimal, Saraband, O Poema (A)Corda e Deslize.