Concerto de dsci na Sagrada Família

Apesar da sentida falta de Capela – porrada, suor e sentimento na bateria – os dsci apresentados dia 17 de Abril na Sagrada Família deram um concerto surpreendente.

Sentimos um regresso às origens, mais punk-jazz menos noise-rock [menos uns 10%], com mais balanço, com aqueles momentos especiais em que do ruído caótico estes bravos conseguem dominar o som e chegar ao acorde e correspondente vibração.

Na bateria esteve o Gee Bee, impecável no assegurar da cadência rítmica frenética sem partir literalmente o instrumento e a perder os seus 6 Kg de peso à mesma. Esteve seguro devido às suas práticas físicas, de meditação e gastronómicas.
Chaves, nas teclas e saxofone, conseguiu imprimir eficazmente aquele nano-mini-micro-segundo atrás ou à frente nos riffs que imprime ao todo a sua subtileza quase falante e bastante irónica.
Tivemos um Boris solto e seguro, emprestando a toda a formação uma continuidade criativa férrea no baixo, completamente entregue aos temas [quase de olhos fechados a explorar a vibração] e a revelar uma exponencial mestria na recuperação pós climax dos temas mais intrincados do coito com a improvisação.
O sopro foi um aspectos aqui a realçar. Dos pulmões de Flapi voltámos a sentir o lado mais jazzy e quente do projecto, profundamente cinemático.
Nos momentos em que Chaves e Flapi tocaram saxofone sentiu-se uma atmosfera que somente dsci e o circo de Bucareste conseguem criar, Chaves mergulhou no público lançando anzóis sonoros culminantes num frente a frente de saxofones.
João Marques apesar de estar um pouco situado atrás das colunas, pululava a guitarra levanto tudo à frente, explorando sonoridades ora dissonantes ora estruturantes nos temas com uma alma de quem trata o punk com um sorriso na cara e faz o mesmo com a guitarra portuguesa.
No final do concerto todas as cordas interagiram num clímax sonoro com a subida total de volume por parte de Pedro Arelo com o slap bass bagaço-rouco, peça pesada da sua garrafeira-arsenal diy.

Alinhamento:
– Intro
– Franek’s Frenetik I
– 33 Anos sem Dormir
– Mr. Muscle
– Anagrama
– Encefalia Espongiforme
– Franek’s Frenetik II
– Feng Chui
– “Jean-Louis”
– Nacho Vidal
– Canzone dal Zaragata

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Concerto de quinta feira “santa” | 17 Abril | 23h dUASsEMIcOLCHEIASiNVERTIDAS, Kafunfo noSoundsystem & VJ Gif na Sagrada Família Lisboa

O projecto dUASsEMIcOLCHEIASiNVERTIDAS regressa aos palcos lisboetas!
Depois do último concerto na Cantina de Chalmun, a peregrinação galáctica dos dsci passa pela Sagrada Família já na Quinta-feira “santa” em plena Avenida Duque de Loulé.
Será um acto iniciático onde o público (terráqueo e alfaces), logo após o infame acto litúrgico-ruidoso das sereias aladas, será abençoado pelo dj set dos indescritíveis Kafunfo noSoundsystem, peritos em bumba homeopática para danças do fogo, ali acompanhados pelas imagens profanas do VJ Gif, vídeo jockey especializado em transe e hipnose visual.
Sugerimos ao público que leve óculos 3D, pífaros e roupa leve.
PPR

dsci-sagradafamilia
Cartaz desenhado por Smith.

quinta feira “santa” | 17 Abril | 23h
dUASsEMIcOLCHEIASiNVERTIDAS
Kafunfo noSoundsystem & VJ Gif (dj set)
Sagrada Família
Lisboa
(Av. Duque de Loulé, 22B – entrada: 3 euros)