Hugo Centúrio e o single “enquanto”

Está já disponível para audição o novo trabalho de Hugo Centúrio em nome próprio.
Líder dos projectos Inmyths e Nyneth, o cantautor mostra ser um músico completo, quer a nível digital onde Nyneth é campo de experimentação tecnológica e criativa, como agora em nome próprio onde grava todos os instrumentos, guitarra e voz – já o fazia em Inmyths – mais baixo e (!) bateria.
Aqui fica exposto “enquanto” para audição e crítica pois é neste trabalho que se materializa algo que Hugo Centúrio há muito idealizava, a aventura da construção de letras para serem cantadas em português.
As influências de Pixies, Nirvana, Sound garden e muitas mais bandas onde Hugo Centúrio se fez músico são subliminares, porém curiosamente face a tudo o que temos nestes últimos 20 anos assistido, não o fazem refém do chamado “grunge” quer na estrutura musical onde isenta o seu trabalho de clichés e maneirismos insuportáveis, nem o remetem para os inócuos temas habituais do universo do coitadinho ou do inadaptado.
Hugo partilha connosco em “enquanto” o seu carácter e personalidade, tendo como inspiração a chamada “realidade” que nos aprisiona e castra em pleno século XXI.
O resultado quanto ao programa Arquitectura do Ruído é único pois temos agora a hipótese de na nossa língua nativa mergulhar nos temas e assuntos que animam e inquietam a produção musical do autor.

“Enquanto” é Hugo Centúrio, voz e dicção inigualáveis, o tom melancólico característico e perguntas interiores de resposta altamente complicada que cabe a cada um de nós responder com sinceridade sem auto-engano, sem pré-conceitos e sem paradigmas indecifráveis. A realidade pode ser muito diferente para cada um de nós, mas esta ataca-nos a todos:

Um espelho será a nossa televisão
Vamos assistir no conforto de um cadeirão
Às nossas vidas a passar enquanto
esperamos um melhor programa em vão

Enquanto, em quanto?

Queremos ver até onde chega “Enquanto” e o que mais está para vir.

Dirigimos daqui uma saudação especial a Hugo Centúrio!

Bem hajas,
Paulo Piedade Rodrigues

Conhecendo e ouvindo d’A Besta, Saraband

Saraband é voz, gutural-didjeridu, guitarra aviso de erro-perigo e bateria robot em curto circuito. parece ficção científica: nos calabouços de um planeta-hospício. num bunker imenso de betão, um ser aprisionado num campo sem gravidade flutua grita e fala para manter a sua insanidade contida.
este filme reunido à volta de A Besta* está entre o étnico, metal num universo psicadélico, poético e exótico.
*colectivo artístico editorial.

Drifter’s Gold de White Poppy, Dorval de bom humor


“It’s a sketch of the girl who loved too well
To tie me down to that bit of Hell
That a drifter knows when he know’s he’s held
By the soft, strong chains that passions weld.”
[Vagabond’s House, Don Blanding 1928]

White Poppy é Crystal Dorval, artista multimédia canadiana, que faz o que considera “terapia” pop modo one-women-show sempre com muitos e bons convidados. Chegámos até ela através de Mac Demarco, com quem tocou em Makeout Videotape como baixista, vimo-la em vídeos da Moduli TV.
Drifter’s Gold é o mais recente trabalho em que Crystal produz ambientes inspirados numa ideia de beleza no Havaii dos poemas de Don Blanding. A voz arrastada, o andamento musical contemplativo tornam a coisa como uma surfada naquelas pranchas enormes antigas, em câmara lenta.
A autora assume o seu trabalho como sensível em relação ao clima, estações do ano e de estados de espírito, aqui está claramente de bom humor.
Sugerimos “Daydreaming” e “Who Are You”, temas com uma produção bem disposta para White Poppy, que pode ser densa no ruído e criativa nas versões.

Drifter’s Gold was prepared in anticipation of an LP to follow this August on Not Not Fun. Named for Don Blanding’s poems inspired by the beauty of Hawaii, Drifter’s Gold will almost certainly live up to the mantle of “therapy” for anyone kindly drugged by soothing string-playing and hazy vocals into its blissful, precociously decorated ambient swells. Though many of the songs take their inspiration from everyday life and the sadness of inner confusion, all were deliberately crafted to address Dorval’s own fixation with the seasons and their influence on the temper of her recordings.
Easily building on the very perceptable influence of Blanding’s Hawaii, Drifter’s Gold may just be the ideal hedge against the summer doldrums during this year’s hotter months.

Ash is a Robot apresentam “Philophobia” – tema a sair brevemente no disco de estreia – uma das versões para a A música portuguesa a gostar dela própria / Super Bock Super Rock

Completamente fora: Para além de confirmarmos a excelente qualidade dos Ash is a Robot como músicos, o que primeiramente nos cativou, ficamos de boca aberta com esta demonstração como artistas, que arriscando, e desta forma desconcertante, demonstram a solidez que lhes reconhecemos já como característica. Ficamos expectantes a aguardar o álbum. PPR

Ash is a robot – “Philophobia” from MPAGDP on Vimeo.

“Tu metes pastilhas, a gente mete nojo”, fragmentos do under-underground dos 90s

O João ouvia noise, punk e ska, o Mourinho ouvia noise e rock e coleccionava brit-pop, o Paco noise, punk e jazz e o Pedro Reggae, entre uma brutalidade de outros estilos e feitios diferentes de música, normalmente gravada em cassetes deterioradas para gravadores em ainda pior estado, ou em disco. Muita gente tinha ainda o gravador do Zx Spectrum ou uma aparelhagem com dois decks, pude ouvir muita coisa e recente.
Lembro-me da minha querida cassete de Peste&Sida, depositária de hinos inter-geracionais, da cassete de Replicantes com as rotações aceleradas e das colectâneas ora no-wave, ora punk, ora grunge.
Foram inúmeras as horas de audição pirata integral de nomes, se ainda me lembro bem, como Cocteau Twins, B52’s, Ocaso Épico, This Mortal Coil, Sid Barret, Lou Reed entre outros, creio que entre a Marginal e a RCL, e tudo o que gosto de electrónico, na XFM, que não sendo pirata, tinha o espartilho do low-low-buget, desligada seis meses após o lançamento deste álbum.

Os Mr Ed Fígadus apareceram por 93, 96, entre projectos mais fugazes como Monglane, Sonotones, Skamioneta do Lixo e outros mais encorpados como Sick Sick Six, Albert Fish, Simbiose, Censurados, Bizarra Locomotiva, Primitive Reason, Kussundolola, Grog, Lov da Xit, eram muito mais projectos, guardo aqui uma lata com bilhetes de concertos.
Foram tempos de afirmação noise de bandas como Tina and The Top Ten, Lulu Blind, Pinhead Society, e a consagração urbana de, entre outros, Mão Morta e Pop Dell Arte.
Para os Mr Ed Figadus era a galhofa com instrumentos lo-fi e um grupo de amigos abrangente e a transbordar criatividade.

Em pleno descongelamento de estilos e fronteiras do rock, foi nessa época que me apercebi e continuo hoje a registar ser uma grave falha da SPA, o ignorar em registo e apoio directo a estes projectos proliferando por aí (em vários distritos e concelhos) e são compostos por artistas que estão no P da SPA, mas suspeitam da idoneidade do S.
Urge fazer algo para mudar isso e enrobustecer o corpo cultural e alcance na defesa de todos os autores.

Em termos de letras, essas são imaculadas pois criticam de forma mordaz, atenta e acutilante todo o lixo que a sociedade da época nos tentava impingir em termos de forma de estar, agir, pensar e contribuiu no nojo em que estamos mergulhados hoje.

O álbum DIY, tem um título que somente poderia ter sido produzido por estas quatro figuras que juntas produziram uma experiência de concerto total, roçava a performance decadente e ela tinha um orgasmo de muita e muita descarga sónica lo-fi.
Enganavam-se, cometiam erros, celebravam a boémia, a história ao lado, o amor e desbravavam no noise, ao mesmo tempo que no país ascendia ao poder a mentalidade tacanha e inculta.

Todo o álbum fala sobre isso quando fala de política, com uma estética anti-estética comercial, anti-consumo, anti-mentalidade da sociedade, eram temas importantes e caros, na maior parte das vezes incompreensíveis devido ao fi ser lo, pelo que o melhor era ir ter com eles depois, antes ou entre os concertos a fim de aclarar o significado da coisa. Acho que isso na maior parte das vezes não resolvia, pois as respostas deles eram sempre imprevisíveis e insólitas, de fazer rir até às cuecas.
Fizeram o álbum em 1997 de cujo guardo uma cópia na minha colecção, pois tem desenhos e colagens porno choque weird do Paco num poster incrível.

Claro que o nojo aqui é irónico, é um conceito de resposta on your face, ironia e muito bom humor criativo à mistura.

Rock que faz levitar, aliás, até se é embalado no processo

Todos os temas são histórias imensas onde se cruzam muitas coordenadas, como o psychedelic, space e stoner rock.
Envolvente e dançante, é um álbum que se ouve de uma ponta à outra.
A qualidade na interpretação e no aplicar de ruído, resultam num cruzar imenso de frequências que estes homens radar que vêm da lua emitem dos seus dispositivos radiais. Tudo de forma cuidada e trabalhada.
São três os Radar men from the Moon a ecoar a partir de Eindhoven na Holanda.
Glenn Peeters na guitarra, Jan-Titus Verkuijlen no baixo e Tony Lathouwers na bateria escrevem, criam e interpretam um som experimental para nos levar numa viagem “far away into the unknown boundries of space and time”.
É o que acontece neste álbum, Echo forever do ano passado (2012).

Divorce your mind from everything you heard

Divorce Blog banner

RATING: IMPERATIVE TO BUY AND ATTEND A LIVE CONCERT QUICKLY
BOOKING: PUREDIVORCED(AT)GOOGLEMAIL(DOT)COM

From Glasgow, Divorce are a 4 member experimental noise project that brings us namesake “Divorce”, their first full LP work, after several EPs, 7” and K7s soup, as carefully spied at their site.
“Horseheads” explorations was the first Divorce we came across, but this new album goes beyond all expectations.
Dude, it goes even worse combining feral ambience, performative rock act, weird nerves dance, and free jazz, as the theme “”Stabby (Stabby) Stab” so finely incorporates.

Their new album released 17 September 2012, is one of the most noisy projects listed at “Arquitectura do Ruído” playlists.
They mention pretty splendid references in their site, “we’ve been going since 2008 and played a load of great shows with bands like ULTIMATE THRUSH, COMANECHI, DEERHOOF, CHILD ABUSE, PART CHIMP, MALE BONDING, CHROME HOOF and a load more.”
It’s therapy for anxiety as long as you can jump off from your body all the weirdness that this all well compartmented society normally brain filters out off you.

Be aware, their repetition is not product of autism, it’s a grind way of gaining the fuel to release the next power riff flow that will crush your mind and transform you in a free radical noise molecule. It’s like a nuke bomb of good.

You’ll be entirely at their hands, dude, mind your neck, you’ll shake your head severely and don’t try to control yourself, it’s useless and could affect you in a profoundly bad orthopaedic manner.

Metal, no-wave, experimental noise, power rock and industrial grind, could be pointed as some taste-tags to define this noise piece of art, but that’s not possible because every theme is a surprise, there’s no closed definition suitable for DIVORCE as Lydia Lunch, from her kinky point of view says:
“DIVORCE…HA! Fantastic blast of no wave thrash bashing like ungodly offspring sprung from Cuntzilla’s incubator a bloody smear of nasty mutation oozing a sickly runoff of infectious virulence naughty little bastards….” (February 7th, 2010)

We would humbly add Arab on Radar/Doomsday Student , Fuzz Orchestra, Choochooshoeshoot, Luther Blissett or Mão Morta as quick references, but we won’t, it’s up to you!!!
We hate limitations, and we are not afraid of anything!

Come to us, Divorce, Portugal expects you, the best audience in the world wants to eat you alive!!!

At your own risk:

BUY YOUR GREEN OR PURPLE VINYL HERE, PUSSYS:
Night School Records (11.99£)

SITE: http://divorcetheband.blogspot.pt/

DIVORCE ARE VICKIE McDONALD, JENNIE FULK, VSO AND ANDY BROWN.

É bom quando se vai ver uma banda e se percebe que ter ouvido deles música gravada, foi não ter ouvido tudo


Continuo aqui no programa com a crença que um concerto ao vivo é o momento maior de uma banda. Bem sei que as condições da sala e do som, o público e a disposição dos artistas influem no bom desenrolar do concerto. Mas refiro-me a que um concerto é bom quando há uma entrega no palco, do público, resposta da sala e aí sim, ouvimos a música como os artistas queriam mostrar, mesmo quando a constroem na garagem, na sala de ensaios ou ao longo de muitos anos de carreira.
É o caso dos The Ex – na sua formação actual – e foi o que aconteceu na ZDB – o som estava excelente em casa cheia. A vinda a Lisboa destes holandeses coerentes e persistentes valeu. Houve suor e lágrimas, mas o sangue passou-se à porta do parlamento, situação evocada pelo Arnold. Tudo soou diferente ao vivo e deu para libertar a pressão toda de um ano quente de convulsão social.
Com uma banda punk, claro, mas um punk com sentido e identidade, diria mais, com consciência social e com músicas que têm a ver contigo e o tipo de sociedade onde estás inserido ou não.

Line-up do concerto
TERRIE HESSELS – guitar, baritone guitar
ARNOLD DE BOER – vocals, guitar, sampler
ANDY MOOR – guitar, baritone guitar
KATHERINA BORNEFELD – drums, vocals

DISCOGRAFIA

POST ZDB

Esqueçam tudo por uns breves 3.17min e TENTEM NÃO DANÇAR!!!!

São os Flamingods com o tema Quesso, uma maluqueira, desde a guitarra a honrar Carlos Santana à batucada africana quasi-kizomba.
Tão bom, primeiro estranha-se, depois entranha-se!!!
Da Art is Hard, Reino Unido, editora bruta de coisas boas.
Este álbum promete, ainda só saiu este tema.

O álbum “SUN” pode ser comprado (pre-ordered) aqui: http://artishardrecords.bandcamp.com/album/sun em formato vinyl, digital e pacote especial com caixinhas de picante.

Infelizmente o “Flamin’ Goods Hot Sauce package with CD” é só para malta do Reino unido…
Bah, está mal!!! Aqui também gostamos de picante para fazer HOT-DANCING!

Contacto para concertos (YES!!!), BOOKING: flamingods – at – gmail – dot – com


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