9º Aniversário da Rádio Zero

Decorreu ontem a festa de aniversário da Rádio Zero com café-concerto e churrasco.
O ambiente foi descontraído, animado e informal.

Contámos com as presenças de Ricardo Reis e João Bacalhau para partilhar connosco a história do projecto Rádio Zero, de RIIST à rádio que conhecemos hoje.

Da parte dos bebes os wrap ganharam o primeiro lugar, apesar do lugar preponderante da bifana e das salsichas vegetarianas alternativas.
Nos bebes, ganhou a morangoska, um êxito produzido directamente das mãos do nosso director de MKT, André Duarte.

Na parte da música tivemos claramente dois momentos, uma parte inicial mais folk, blues e rock e uma segunda mais experimental.

Aponto a prestação de Inmyths – Hugo Almeida na voz e guitarra acústica – como uma das melhores vista e sentida da banda, pautada por uma sonoridade forte – som bem tocado, com ataque, nervo e presença, mantendo o sentimento – apresentando-se com o novo baterista, Gonçalo Silva e com Ricardo Mota na guitarra eléctrica.

Ganhámos um gostinho especial pelo novo trabalho de Jorge Rivotti sobre Lisboa, do qual ouvimos as primeiras músicas que são muito diferentes das “Canções de Amor Pintadas de Amarelo”, com mais riqueza sensorial e metafórica.

Peter Wood, ex-brainwash by amália, encantou o público não só com a valia do blues que escolheu apresentar – um quase não blues dentro do que se costuma chamar blues genericamente – mas também com a excelente presença em palco, salientando o contacto com o público em que achamos que a afinação da guitarra já serve de pretexto para essa partilha entre quem está no palco e quem está a ver.

Na parte mais experimental, foi quase uma apresentação pública dos Clit Cortex (PPR com Carla M.) com o convidado especial Nilson Muniz, tendo o público presente declarado ser altamente original. É-me difícil falar de mim próprio, pelo que somente posso convidar o leitor a aparecer na Garagem da Graça para nos ver ao vivo na residência mensal que aí temos com um convidado todos os meses.

Come-se a pele? estiveram excelentes no que concerne à voz, Patrícia Filipe, mentora do projecto, baixo, Filipe Leote, teclas, percussão e sopro, Pedro Alçada, porém menos bem com bateria electrónica, porque creio não enriquecer o andamento orgânico do baixo e da voz, trazendo alguma confusão onde o baixo claramente marcava o andamento.
Tudo o resto é fascinante, o ambiente musical e a prestação performática e voz inconfundível de Patrícia Filipe.

Como “Great Finale” tivemos dois artistas imensos, Tiago Gomes na voz, homem que dispensa qualquer apresentação e Bruno Gonçalves aka agendas obscuras na guitarra.
Foi uma prestação brutal do autor da Bíblia – sempre com uma componente de humor única – tendo o poeta passado meio concerto em cima da árvore, só saindo com a dor provocada pelas formigas vermelhas nas cuecas. Já no palco Tiago e Bruno tiveram oportunidade de contar com o nosso amigo Trinco, cão de André Duarte, para um ladrar especial no poema de Lawrence Ferlinghetti e um agarrar de perna ao Filipe Leote.

Foi uma tarde bem passada!